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Como Lidar com Pessoas Difíceis

26/02/2019

Certo dia, pergunta similar a essa do título foi feita a um professor da Escola Paulista de Medicina. Tratava-se de uma pesquisa acerca da relação médico-paciente realizada com base na entrevista de alguns expoentes no campo da Psicologia Médica, Psiquiatria e Psicologia Hospitalar. A pergunta direcionada a todos os entrevistados consistia em saber deles como definiam e como lidavam com pacientes difíceis. Os entrevistados não vacilavam em categorizar os pacientes, falar de suas personalidades e por vezes esboçar alguma resposta em como lidar com esses pacientes difíceis. O Prof. Dr. Mario Alfredo De Marco, médico psiquiatra e principal responsável pela “Face Humana da Medicina” na UNIFESP, ousado que era, surpreende a todos com sua resposta, exceto àqueles que bem o conheciam pela característica marcante de realizar sutis deslocamentos de ponto de vista que sempre abriam para perspectivas não antes imaginadas. Ele respondeu ao entrevistador que em sua concepção o “paciente difícil” não existe, e que ele preferia falar de “relações difíceis”. Continuou, dizendo que a relação com um determinado paciente pode ser difícil para um profissional enquanto pode ser fácil para outro, e essa seria a maior evidência de que não se trata da pessoa ser difícil, mas de que algo acontece naquela relação específica que a torna difícil, e na maior parte das vezes, difícil para ambos. O deslocamento proposto pelo Professor Mário, como era carinhosamente chamado por aqueles mais próximos a ele, era para que nos atentássemos ao par na relação, e não apenas a uma das partes. Está em cena também o profissional de saúde, e não só o paciente.

 

O título deste texto, pois, consiste em uma imitação subversiva, tal como chamamos na Análise do Discurso. Trata-se de partir de um discurso corrente para promover deslocamentos que subvertam o modo de pensar sobre determinado assunto. E esse é o objetivo desse texto. A Prof. Dra. Marlene Guirado, psicóloga, psicanalista e docente do Instituto de Psicologia da USP, define o campo de estudos e intervenção da psicologia como sendo o das “relações, tal qual imaginadas por aqueles que as fazem”. Verificamos que ela também não fala do estudo “da mente”, como uma interioridade quase que independente do meio externo, e nem de “indivíduos” que possam ser agrupados e categorizados por “padrões de personalidade”. A proximidade entre os dois mestres, que provavelmente não vieram a conhecer os trabalhos um do outro, está justamente em colocar em cena para a análise, a relação.

 

A essa altura, alguns dos leitores devem estar pensando nas “pessoas difíceis” de suas vidas e realizando a seguinte pergunta a si mesmos: o que nessa relação faz com que seja difícil pra mim a comunicação com a outra pessoa? Sim, esse é um bom começo! Contudo, não se trata de simplesmente colocar a responsabilidade na relação, como se ela tivesse vida própria, sozinha. Trata-se de um deslocamento de perspectiva para uma análise mais fina da situação. Esse tipo de análise é o que costumamos realizar durante boa parte do tempo em um trabalho psicanalítico que compartilhe do pressuposto de que a subjetividade é constituída em meio a (e por) relações significativas. Em outras palavras, ninguém nasce sendo o que é e nem pensando como pensa. A pessoa que se é, com suas crenças, medos, desejos e fantasias, bem como seus comportamentos e atitudes perante a vida, é uma pessoa que veio sendo construída dia após dia em meio ao que foi apreendendo junto às pessoas e às relações significativas que fizeram e fazem parte de sua vida. E essa pessoa está em constante construção de si, por mais que não se dê conta, ou mesmo que essa construção seja a árdua tarefa de buscar permanecer sendo a pessoa que se é.

 

Por fim, se você considera uma pessoa “difícil”, vale olhar para o jeito como ela se relaciona e como você se relaciona. Como o modo dessa pessoa se relacionar dificulta ou impede o seu modo (ou aquele que você prefere, ou, ainda, o que você gostaria para sua vida) de se relacionar? É um bom começo para que você possa conhecer sobre você e, por consequência, lidar melhor com relações que são difíceis para você.

 

Até o próximo texto!

Ronaldo Coelho

 

 


ronaldo coelho psicologo em sp

Ronaldo Coelho Psicólogo

Atendimento particular a adolescentes, adultos e idosos.
Graduado em Psicologia (USP) e Mestre em Psicologia Institucional (USP).
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Ronaldo Lopes Coelho - Doctoralia.com.br

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