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Crise Financeira e Crise Psíquica

18/02/2019

O Brasil atravessa uma crise do sistema financeiro que tende a se aprofundar e se alastrar pela sociedade punindo de modo mais severo os mais pobres. Sabemos disso. Sabemos também que as medidas que estão sendo tomadas pelo governo eleito em nada irão ajudar o país a resolver as questões relacionadas ao desemprego e as desigualdades sociais. Ao contrário, estão a passos largos retirando direitos sociais conseguidos com muita luta e suor de muita gente durante longos anos. Em todas as esferas, as medidas tomadas deixam claro que o dinheiro sairão dos mais pobres, que irão passar por dificuldades cada vez maiores, em direção aos mais ricos. Os mais ricos continuarão a se beneficiar da crise, e em breve veremos novos nomes na lista de bilionários da Forbes. Medidas desumanas, que farão o Brasil retroceder em décadas. Nós, que fazemos parte dos 99% da população brasileira que não é milionária, nos vemos diante de um país à deriva.

Pois bem, diante desse momento de crise financeira, de corte dos direitos e de crescente desemprego, o medo é o sentimento predominante para quem está empregado e o sofrimento do desemprego é a condição de vida de quem está à procura. Nesse contexto, estar ansioso é “normal”. Cair em depressão diante das constantes frustrações frente às inúmeras tentativas de conseguir uma entrevista ou um emprego, ou mesmo diante de tentativas mal sucedidas de projetos autônomos, é um risco eminente. Os índices epidemiológicos de crises de ansiedade e de episódios depressivos tendem a aumentar.

Novamente as classes mais desprovidas de meios serão as que mais irão sofrer. Pois a classe média ainda tem um pouco de “gordura para queimar”, usando o linguajar dos economistas. Já os mais pobres, agora que estavam tendo um pouco de músculo entre a pele e o osso, sentirão na carne e nos nervos. A classe média pode recorrer à terapia para lidar com sua ansiedade e depressão, e normalmente recorrem também a remédios, exercícios, yoga. Tudo isso ajuda a ser mais resiliente e encarar a crise sem se afundar nela. E aqui falo das duas crises, a financeira e a psíquica. Um adendo: o termo resiliência vem da física, e significa a capacidade de um material voltar ao seu estado inicial, após sofrer deformação, sem perder suas propriedades; é um termo comum para definir as molas de aço, por exemplo. Na psicologia, resiliência está associada à capacidade de lidar com as adversidades, as frustrações. Contudo, muitas das vezes é empregado de maneira superficial e equivocada em análises leigas, sobretudo aquelas que são realizadas no campo da administração de empresas para falar do rendimento de funcionários. Mas isso é tema para um próximo texto. Retomando, então, nosso raciocínio, como os mais pobres poderão investir em si por meio desses serviços que ofereceriam a eles maior resiliência? Essas coisas nunca foram prioridade para quem ganha pouco dinheiro e quando se fala em desemprego, redução da renda familiar, aí mesmo é que não vão ser. Com a perda do emprego se perde também o plano de saúde e esses serviços supracitados não são oferecidos pelo sistema público, e quando são a qualidade raramente é boa. Eles estarão desamparados. Não estou aqui fazendo terrorismo. As pessoas que vivem assim, que são trabalhadores, que vivem apenas do próprio salário e que já sofreram a dor do desemprego na família, sabem disso. Por esse motivo que sofrem e adoecem nos próprios empregos dando “graças a Deus” por terem seus salários no final do mês. É por isso que aceitam assédio moral, desvio de função, sobrecarga de trabalho, redução de salário e outras desumanidades tão afeitas aos “tempos de crise”. Nesse contexto, serão poucos os que conseguirão manter aquilo previsto pela Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), ainda mais agora, com a perspectiva de flexibilização ainda maior.

Preocupar-se com os rumos políticos e econômicos do país é preocupar-se com a qualidade de vida da população, é questão de saúde pública, especialmente no que diz respeito à saúde mental, mas também na saúde em geral, pois quando a mente não vai bem o corpo padece, como bem diz o sábio ditado popular. Serão tempos difíceis. Devemos apertar os cintos, dar as mãos uns aos outros e agirmos na redução de danos. Resistir aos retrocessos e à retirada de direitos é uma questão de sobrevivência física e psíquica.

Até o próximo texto!


ronaldo coelho psicologo em sp

Ronaldo Coelho Psicólogo

Atendimento particular a adolescentes, adultos e idosos.
Graduado em Psicologia (USP) e Mestre em Psicologia Institucional (USP).
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Ronaldo Lopes Coelho - Doctoralia.com.br

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