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Doutor, o que eu tenho? Diagnóstico e Tratamento Psicológico

05/03/2019

Doutor, o que eu tenho? É Síndrome do Pânico? É Depressão? É Estresse? É trauma de infância? Eu sou Bipolar? Ouvi dizer que pode ser Síndrome do Estresse Pós-Traumático. Não é esquizofrenia, é? Eu estou louco, doutor?

Muitos pacientes chegam até nós, psicólogos, ávidos por saberem o que têm. Esse tipo de diagnóstico é de grande valia para o médico psiquiatra, que terá de fazer uma escolha rápida por qual tipo de medicamento para aliviar os sintomas e o sofrimento de seu paciente. No caso do psicólogo o cenário é um pouco diferente. Esse tipo de diagnóstico, por vezes apressado, pode atrapalhar, mais do que ajudar. A pergunta é, por que os pacientes solicitam logo de cara um diagnóstico?

Em muitas das vezes, considero que há uma procura por saber se aquele problema é “caso pra psicólogo”, se é “coisa da mente”. Assim sendo, basta a nós afirmar que sim, há ali um “problema de ordem psíquica”. Além disso, qualquer diagnóstico que avançasse em fechar respostas é menos interessante do que o caminho que abre para a construção do sentido do sofrimento.

Querer “saber o que têm” também pode estar relacionado à ideia de procurar o melhor tratamento, ou o especialista adequado para aquele tipo específico de problema. Nesse sentido, é importante dizer que quando estamos tratando de sofrimento psíquico a ideia de subespecialidades não tem a mesma função que tem na medicina, por exemplo, para que se possa encontrar o melhor profissional para o atendimento da demanda. Um bom psicólogo clínico, experiente e compromissado com seu trabalho, no qual o paciente deposita sua confiança de que pode ser ajudado, teria condições de sucesso no tratamento de todo e qualquer sofrimento de seu paciente, seja qual for o diagnóstico. Refiro-me, aqui, aos atendimentos que garantem condições mínimas de qualidade. Retomarei isso mais a frente.

Ainda sobre a transmissão do diagnóstico, é importante nos atentarmos a como ele poderia ser recebido e de que forma ele poderia ser utilizado. Uma possibilidade é ter efeito paralisante e acabar servindo como uma espécie de muleta na qual o paciente se apóia para não ter de encarar as dificuldades que envolvem o processo de viver. O seu sofrimento acaba virando a justificativa para que as coisas se mantenham exatamente como estão, como se ele fosse um “café-com-leite” no jogo da vida. E isso nós, profissionais, devemos cuidar para que não ocorra, pois seria de efeitos danosos para o paciente, que ficaria aprisionado nos medíocres ganhos secundários de seu adoecimento sem nunca experimentar a real felicidade de poder lidar com seu sofrimento sem precisar fugir ou se acovardar, sem precisar se contentar com as migalhas advindas da posição de doente.

Há também aqueles que acreditam que apenas com o uso de medicamentos poderão resolver os seus problemas. Vale aqui a advertência: medicamentos não resolvem a vida de ninguém. Eles são de grande ajuda, uma vez que cumprem a função de minimizar, ou mesmo suprimir, os sintomas decorrentes do sofrimento psíquico. Mas se não houver um processo de análise pessoal eles serão apenas uma máscara para os problemas. Existem casos de pessoas que apenas com medicação conseguem mudar suas vidas e saírem de quadros de depressão ou de ansiedade, por exemplo. Contudo, são exceções. E exceções justificam a regra, não a anulam. De acordo com a regra, o que acontece é o medicamento depois de um tempo começar a não apresentar os mesmos efeitos e o médico precisar aumentar as doses. Há casos onde as pessoas conseguem os remédios sem a prescrição médica, e se automedicam. Esses são os mais graves, pois, sendo usada por longo período de tempo e sem acompanhamento médico, os psicotrópicos podem causar dependência e agravar do quadro. Disso decorre o medo de dependência que atinge muitos pacientes quando lhes é indicado o uso de psicotrópicos. Nesse sentido, outra advertência: se você está fazendo um tratamento correto e de qualidade, acompanhado de seu médico, o mesmo não permitirá que o tratamento o leve a se tornar dependente, realizando ajustes sempre que necessário.

Sabemos, também, que a saúde mental é um dos setores (senão “o” setor) mais negligenciado do sistema público de saúde. A má notícia é que tende a piorar nos próximos anos com as medidas que vêm sendo tomadas. Assim, a parcela da sociedade mais desprovida de recursos fica impedida de ter acesso a um bom tratamento, tanto psicoterápico quanto medicamentoso. Para aqueles que possuem convênio médico, o cenário melhora um pouco. Mas em virtude dos baixos valores repassados pelos convênios, os profissionais de saúde acabam realizando mudanças no seu sistema de atendimento, principalmente no que se refere ao tempo da consulta, prejudicando a qualidade do mesmo.

O atendimento de qualidade, via de regra, fica restrito àqueles que podem pagar pelas consultas particulares, ou quando o convênio reembolsa o valor das consultas. É o caso onde o profissional consegue montar um plano de trabalho personalizado para o paciente, de acordo com a demanda que o mesmo apresenta. No caso da psicoterapia, com número de sessões e o tempo necessário para se trabalhar a fundo as questões apresentadas. E no tratamento medicamentoso, com uma boa investigação clínica, retornos dentro do prazo ideal, contato mais próximo com o médico, o que facilita até mesmo em caso de emergência.

É triste que seja assim em nossa sociedade. E eu realmente gostaria que toda a população que necessitasse pudesse ter acesso a um serviço de saúde mental de qualidade, e não apenas as pessoas que podem pagar. Devemos lutar por isso, reivindicar, mostrar a importância de um sistema de saúde mental de qualidade para a população. Ao mesmo tempo, a vida não estaciona para que possamos consertar o que há de errado no mundo e, diante do cenário atual, se você precisa, deseja e pode pagar por um bom tratamento, não hesite em fazê-lo. Os ganhos serão para toda a vida!

 

Até o próximo texto!


ronaldo coelho psicologo em sp

Ronaldo Coelho Psicólogo

Atendimento particular a adolescentes, adultos e idosos.
Graduado em Psicologia (USP) e Mestre em Psicologia Institucional (USP).
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Ronaldo Lopes Coelho - Doctoralia.com.br

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