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Fidelidade e Lealdade

18/02/2019

É comum as pessoas falarem de Fidelidade e Lealdade de forma confundida, misturada, como se fossem sinônimos. Não é difícil, contudo, encontrar diversas definições para esses dois conceitos. Haverá aqueles que buscam uma diferenciação etimológica (resgatando a origem das palavras), outros optam por uma abordagem que visa analisar o contexto em que são utilizadas, e certamente há aqueles que falam a partir de seus próprios pensamentos. De todas as formas, vale a pena a reflexão! Vale a pena por dizerem de relações extremamente importantes para a constituição da subjetividade humana. No meu modo de tomar os dois termos darei ênfase ao uso que deles costumamos fazer e por esse caminho atrelar essa análise ao que diz a etimologia. Comecemos pela Fidelidade. Esse termo é exaustivamente empregado em duas situações nas quais as pessoas parecem não apresentar dúvidas de que ele diz perfeitamente o que querem dizer. A primeira delas, e é o que o leitor está pensando, se refere às relações sexuais. Fidelidade é sinônimo, nesse caso, de não cometer adultério, de não transar com outra pessoa quando se está num “relacionamento sério”, sem que haja o consentimento da outra pessoa. Nesse sentido, a traição (termo que será empregado tanto para a quebra da fidelidade quanto da lealdade) está ligada à quebra de um contrato de exclusividade de um tipo específico de relação: a amorosa-sexual. O outro contexto em que fidelidade é empregado de maneira inequívoca é no ambiente corporativo. Quem nunca ouviu falar em fidelização de clientes, programa fidelidade e assim por diante? Nesse caso, mais fiel é um cliente quanto maior for a relação de exclusividade que ele mantém com determinada organização. Se tratando de relação de clientela, estamos pensando, sobretudo, em relações comerciais. Em ambos os casos o que se busca garantir é a exclusividade naquilo que é a base da relação. Uma objeção pode ser feita à respeito de “relacionamentos abertos”, onde é permitido aos parceiros que mantenham relações sexuais com outros pares. Contudo, certamente haverá algo acordado entre esses parceiros para o qual eles reivindicarão exclusividade, ou seja, que ambos não poderão desenvolver com nenhum outro.

Há ainda um outro sentido para fiel, que é “idêntico”. “Essa é uma cópia fiel de Leonardo Da Vinci”. Acredito que todos os leitores tenham imaginado que a frase em aspas diz respeito a uma reprodução de um quadro de Leonardo Da Vinci. É um outro uso inequívoco para a palavra Fiel. Deixei esse uso por ultimo por dois motivos: primeiro, não diz respeito à relação entre pessoas, mas sobretudo entre coisas; segundo, as interpretações da derivação do conceito para traçar paralelos com o uso do termo Fidelidade para falar também de relações humanas, não é inequívoco.  Pela etimologia, Fiel e Fidelidade tem a ver com confiável, confiabilidade, fiança e confiança. É fiel aquele em que se pode confiar. Contudo, essa confiança está estabelecida num contrato, explícito ou implícito, associado à garantia do cumprimento do acordo. Curiosamente, no dia a dia vemos que a palavra está associada, sobretudo, à contratos de exclusividade. Dificilmente chamamos de infiel alguém que não cumpre com os combinados em relação à divisão de tarefas domésticas ou num ambiente de trabalho. Dizemos simplesmente que a pessoa não é confiável, ou que não podemos confiar tais responsabilidades a elas.

Dediquemos agora algumas linhas à palavra Lealdade. Pela etimologia, Lealdade se refere à Lei. Leal é aquele que segue a Lei. Na antiguidade, dizia-se, que a população devia lealdade ao rei. Michel Foucalt, em seu livro Vigiar e Punir, mostra de maneira brilhante como o não cumprimento da lei estava associado a uma ofensa à honra do rei, lembrando que a lei era a palavra do rei. A punição àquele que fosse desleal (ao rei) deveria ser espetacular e exemplar, ou seja, para que todos pudessem ver e servir de exemplo moralizante. A cena característica é o esquartejamento em praça pública. Pensando com Freud, para cada um de nós há sempre duas leis: uma lei interna e uma lei externa. A lei interna é a da moral, da “consciência de cada um”. As leis externas são os limites impostos pela natureza e pelas relações humanas (que por vezes são impostos pela força e por vezes negociados). Nos dias atuais, a palavra Leal parece se empregar perfeitamente para qualificar um bom amigo, à fraternidade. A Lealdade não está pautada em contratos (explícitos) e quase independe de contratos implícitos. Ela está muito mais associada às leis internas de cada um. Ser leal a um amigo é defendê-lo num momento em que ele não pode se defender, sem que em nenhum momento isso tenha sido solicitado; é procurar impedir que injustiças sejam realizadas; é prezar pela honra, pela imagem, pela integridade física e psíquica de alguém.

 

Assim como a fidelidade parece ser, no imaginário social, a marca de uma relação conjugal, a lealdade parece ser a marca de uma relação de amizade. A amizade não exige exclusividade. O amigo leal torna-se confiável, evidentemente, e por isso a fidelidade pode estar presente na amizade, mas esta não comporta a exigência de exclusividade. Soa imaturo e engraçado pensar que um amigo diga ao outro que ele exige ser o único melhor amigo dele. A deslealdade é, sem dúvida, o ingrediente mais poderoso para o rompimento de um vínculo tão sereno e despretensioso como o da amizade. O melhor amigo de cada um é também o melhor exemplo de lealdade que cada um possui.

 

Até o próximo texto!


ronaldo coelho psicologo em sp

Ronaldo Coelho Psicólogo

Atendimento particular a adolescentes, adultos e idosos.
Graduado em Psicologia (USP) e Mestre em Psicologia Institucional (USP).
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Ronaldo Lopes Coelho - Doctoralia.com.br

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