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Noção do tempo na Pandemia

13/07/2020

A noção de tempo é uma construção que fazemos, é uma criação da nossa mente.
Ela depende de uma faculdade mental que nos posiciona frente a uma sequência de acontecimentos e sua “velocidade”.

Com Albert Einstein aprendemos que o tempo é relativo, assim como a noção de movimento.

Em sua Teoria da Relatividade, o físico postula que para uma pessoa viajando à velocidade da luz o tempo vai passar em outra velocidade do que para quem em está na face da Terra vivendo tranquila e inadvertidamente.

O tempo pode ser realmente dilatado ou comprimido, diriam os físicos. Contudo, não estamos falando exatamente deste fenômeno, mas sim da possibilidade de uma sensação de dilação ou compressão que são psíquicas. Os gregos separavam o tempo em Chronos e Kairós.
Chronos é o tempo do relógio.
Kairós é o tempo subjetivo, este que medimos pela nossa sensação da passagem do tempo.
É daí que vem a máxima: “É impressionante como o tempo voa quando a gente se diverte”.

Se até Chronos pode ser dilatado ou comprimido, como avisam os físicos, imagine Kairós.
Desse modo, a depender da intensidade da experiência nós podemos sentir que o tempo está passando muito rápido ou muito devagar, como naquela reunião chata e inútil do trabalho em que não vemos a hora de acabar.

Além desses fatores mais imediatos, tem também a perspectiva diante da finitude da vida, uma dimensão mais existencial.
É comum as pessoas referirem como o tempo parece passar mais rápido a cada ano que passa.
Isso, em boa medida, se dá pelo fato de se ter uma ideia de quanto se queria ter feito e o quanto de fato foi possível se fazer naquele período de tempo.
Uma sensação de que o tempoencurtou”.

Nesta pandemia, para algumas pessoas o tempo vai ter “encurtado” e para outras o relógio parece que para.
Isso depende de como cada um está vivendo esse período em que marcadores de outra ordem se perde. É comum também verificarmos uma desorientação temporal.
Os finais de semana funcionavam como marcadores da noção de semana, uma vez que nestes dias tínhamos uma atividade completamente diferente dos demais.
Caso as pessoas estejam vivendo os finais de semana como se fossem dias de semana, é muito fácil de se perderem no tempo. Assim também como nas horas do dia.

Quem está em casa e pode trabalhar a qualquer momento, sem precisar de uma rígida rotina de trabalho, pode acabar se atrapalhando e o dia virar um contínuo que ela já não consegue diferenciar a hora de trabalhar, a de descansar e a de dormir. Assim, o sono se altera, o trabalho fica improdutivo e a pessoa não consegue relaxar um minuto, mesmo não tendo feito nada o dia inteiro. Ela está desorganizada no tempo.

Tenho falado muito da relação entre esse tipo de desorganização e a desorganização dos sentimentos. Essas duas dimensões estão intimamente ligadas.
Quando uma pessoa está desorganizada no tempo ele tende a se desorganizar psiquicamente, e vice-e-versa. Neste caso é possível que a pessoa venha a desenvolver crises de angústia, pânico, depressão, ideações suicidas ou mesmo alucinações e delírios.

Por esse motivo, estar orientado no tempo contribui para um cuidado com a saúde mental.
Já que perdemos marcadores importantes, devemos criá-los em nosso dia a dia. Para isso, os rituais ajudam muito nesta tarefa.
Os rituais devem ser sempre construídos de forma singular por cada um.
É necessário que se faça a reflexão do que funciona pra mim, o que fica mais próximo possível do que antes eram os meus rituais. Na organização temporal a relação com o espaço também contribui.

O ideal é que se tenha um ambiente diferente para cada tipo de atividade. Se possível, um cômodo específico para trabalhar, outro para descansar e outro para dormir.
Nosso cérebro passa a processar a entrada naquele ambiente e já se preparar para a tarefa a ser desenvolvida.
Pessoas que têm somente um cômodo na casa podem mudar o ambiente com a ajuda de outros marcadores.

É possível se aproveitar da luz do dia para marcar que é dia e é hora de trabalhar, por exemplo, sentar numa cadeira e usar uma mesa, ligar a TV somente no horário de descanso.
No momento de descanso, acomodar-se em outra posição, num sofá ou mesmo na cama, mas ainda mantê-la diferente, arrumada talvez, de como a deixará na hora de dormir.

Utilizar uma iluminação mais amena e ter um ritual de preparação para o sono, como por exemplo terminar o trabalho, tomar banho, jantar, assistir tv, desligar a tv e dormir. Quando repetimos esse ritual, nosso corpo já vai se preparando para o sono.
O ideal é que a cama seja apenas para dormir. Algumas pessoas se trocam e passam perfume para trabalhar, mesmo de casa.

É um outro recurso para entender que agora é hora de trabalhar. A noite pode se usar um incenso, para quem gosta de cheiros, ou se tomar um chá, para quem gosta. O importante é ter um ritual próprio que construa esses marcadores temporais.
O nosso cérebro precisa compreender o tempo por meio de estímulos dessa ordem para mandar as mensagens adequadas para que nosso corpo se prepare para cada uma dessas tarefas, e é assim que ele compreende o tempo.

O tempo do nosso corpo é Kairós, não Chronos. Em outras palavras, a regulação orgânica e psíquica não se faz no tempo do relógio, mas sim com esses marcadores perceptivos de visão, audição, olfato, paladar e tato na ambientação que produzem.


ronaldo coelho psicologo em sp

Ronaldo Coelho Psicólogo

Atendimento particular a adolescentes, adultos e idosos.
Graduado em Psicologia (USP) e Mestre em Psicologia Institucional (USP).
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Ronaldo Lopes Coelho - Doctoralia.com.br

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